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Concerto dos 100 anos marca a volta da Banda do Ifal

  2009-12-03 | 10:15:15

 

 

A banda de música da antiga Escola Técnica Federal de Alagoas (atual Ifal) está de volta e se apresenta hoje (3) no Sesc Poço, ao lado do Coretfal e do grupo Antiqua Mundi, em sua reestreia, reunindo músicos de várias gerações, como parte da programação do centenário da escola. A direção da instituição assumiu o compromisso de reativar a banda e garantir a manutenção de um trabalho de décadas.

 Texto: Gal Monteiro

O público vai poder testemunhar e celebrar um momento histórico para a arte alagoana: o retorno da Banda de Música da antiga Escola Técnica Federal de Alagoas (atual Ifal- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas), no Concerto dos Cem Anos. A apresentação de reestreia, ao lado do Coretfal e do grupo Antiqua Mundi (Ponto de Cultura Encantando a Vida), está marcada para hoje (3), às 19 horas, no Sesc Poço. Instrumentistas de várias gerações – alunos, ex-alunos da instituição e outros músicos da comunidade – sob a regência do maestro Almir Medeiros, retomam um trabalho de décadas, na celebração do centenário da instituição.

 

O projeto, idealizado pelo maestro Almir Medeiros e pela maestrina Fátima Menezes, regente do Coretfal, foi elaborado e encaminhado pelo Coretfal, com total apoio do Ifal, por meio do reitor Roland  dos Santos Gonçalves. Professor da escola há 30 anos, ele ratificou, emocionado, o compromisso com a reativação da banda: “um gestor deve estar atento à possibilidade de retratar o sentimento da sociedade e se sentir realizado quando isso acontece. É uma espécie de resgate de um passado glorioso. Melhor ainda foi perceber que a banda tem seguidores que não deixaram esses ensinamentos se perderem no tempo. Ela não apenas será reativada, mas terá espaço físico próprio para ensaios e reuniões. Não é uma promessa, é um compromisso que assumo com muita alegria”.   

 

O maestro Almir Medeiros tem ainda mais motivos para comemorar: ex-aluno e atual professor do Ifal à disposição do Ponto de Cultura Encantando a Vida, aprendeu a tocar na banda e nunca mais exerceu quaisquer atividades que não relacionadas à música. “Esse reencontro foi marcante. É uma honra assumir o lugar deixado pelo mestre Manuca e emocionante rever colegas, reviver a vitalidade desse homem iluminado que formou tantas gerações”.

 

Para a maestrina Fátima Menezes, também amiga de Manuca, “falar do mestre é falar de educação, generosidade, dedicação. Enfim, é falar de amor. De um amor que ele irradiou e distribuiu com o que, para ele, era a família musical”.

 

UMA HISTÓRIA DE AMOR PELA MÚSICA

A Banda de Música foi, durante anos, uma das maiores referências no gênero. Nas passeatas cívicas, a banda era uma atração à parte e levava muita gente às ruas para o merecido aplauso. Nos corredores da escola, nas animadas rodas do recreio, era tema recorrente. Todos os segmentos da comunidade escolar (alunos, professores e funcionários) foram impregnados pela sensação de pertencimento a um projeto bem sucedido.

 

Enfim, a banda era nada menos que o cartão de apresentação da instituição que a abrigava, um símbolo de excelência e instrumento de elevação da auto-estima de milhares de jovens oriundos de bairros periféricos e do interior do Estado, constituindo, portanto, um valor histórico-cultural.

 

Quase que nos bastidores dessa história, Mestre Manuca (Manoel Leandro Simplicio) – como era carinhosamente chamado por todos os que cruzaram seu caminho – um personagem insólito, educador e condutor das performances do grupo, representou, durante vários anos, a vida e os destinos da banda. Por ele passaram diversas gerações de alunos-músicos, muitos dos quais transformaram os ensinamentos do Mestre em paixão e profissão. Em alguns casos, esses talentos transpuseram as fronteiras do estado e do país, consagrados como grandes músicos.

 

Quando, aos 86 anos, Manuca entregou a batuta, por força da aposentadoria compulsória, o grupo musical silenciou. Nunca mais se ouviu falar da Banda de Música da Escola Industrial que se escrevia em letras graúdas. Ficou uma saudade silenciosa e inquieta, sempre à espera de novo arroubo de entusiasmo, de novas felizes coincidências.

 

O Ifal – inspirado nessa história de amor entre a música e o Mestre e preocupado com os altos índices de pobreza e exclusão que permeia o universo de milhares de crianças e jovens para quem a música pode ser um referencial de desenvolvimento humano e inserção social – deu continuidade ao projeto que, já a partir de sua gênese, fomentou e realizou uma espécie de inclusão cultural sobre a qual nem se falava ainda. Assim, reativa a banda, empreendendo esforços no sentido de assegurar a permanência e dinamização desse patrimônio, desejando contribuir para a consolidação de uma proposta que interessa a toda sociedade culturalmente ativa.

 

SERVIÇO

O QUE: Concerto dos cem anos do IF/AL – Homenagem ao Mestre Manuca

QUEM: Banda de Música Mestre Manuca do IF/AL / CORETFAL / Grupo Antiqua Mundi

ONDE: Sesc/Poço

QUANDO:  Dia 3 de dezembro, às 19 horas

INGRESSO: Entrada franca

 

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